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Vício do jogo e a obsessão PDF Imprimir E-mail
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Artigos on line - Artigos
Qui, 07 de Dezembro de 2006 13:36

O que leva uma pessoa a viciar-se em jogos de loteria, corrida de cavalos, videopôquer, caça-níqueis, bicho, baralho ou bingo? A abrir mão de seu trabalho, sua família, amigos, de seus estudos? A perder o controle de si mesma e ficar cada vez mais dependente dos jogos? A vender tudo o que tem e contrair dívidas, a ficar na amargura da sarjeta? Estudos apontam que a pessoa que possui este tipo de distúrbio, quando chega ao fundo do poço, tenta o suicídio. A revista Science publicou que a desordem comportamental mais semelhante à dependência das drogas é o vício do jogo. Estudos mostraram que mais da metade dos jogadores apresentam sintomas de abstinência menos intensos, porém, muito semelhantes aos dos usuários de drogas: distúrbios de sono, irritabilidade e sudorese que se acalmam diante da mesa do jogo.

Estima-se que de 1% a 4% da população brasileira joga compulsivamente. Este percentual é tão alto devido a dois motivos: o primeiro é o indivíduo pensar que pode resolver todos os seus problemas financeiros por meio do jogo; segundo, é que no Brasil temos atualmente centenas de casas, bares e lanchonetes que, somados, teremos milhares de máquinas de videopôquer e caça níqueis, isto sem contar os outros tipos de jogos citados no início deste artigo. Sendo assim, o jogo se torna um negócio rentável onde, normalmente, os únicos que perdem e sofrem são os dependentes deste vício e seus familiares.

A categoria de jogadores pode ser dividida em três tipos: eventuais, que jogam na loteria esporadicamente ou quando o prêmio está acumulado; sociais, que jogam de vez em quando com os amigos; e os patológicos, que jogam compulsivamente e deixam o jogo interferir na sua vida profissional e familiar.

O viciado em jogo, quando começa este hábito, imagina ganhar muito dinheiro, mas seus sonhos vão por água abaixo quando começa a perder. Ele não aceita esta situação e insiste em continuar jogando. Algumas pessoas perdem em um dia seu salário do mês; outras vezes, verdadeiras fortunas são destruídas em pouco tempo. E quando a pessoa ganha, este dinheiro é revertido novamente para o jogo, tornando um ciclo vicioso e fatal.

Especialistas explicam que quando o jogador ganha um determinado valor significativo no jogo, o cérebro recebe uma descarga de dopamina, substância responsável por sensações de prazer e bem-estar.

Os homens são a maioria neste vício, mas um número significativo de mulheres é acometido por este distúrbio, que desenvolvem até quatro vezes mais rápido que os homens. O número de mulheres que tentam o suicídio é também superior.

Interessado neste assunto, visitei um bar onde havia diversas máquinas de videopôquer e caça-níqueis. Pessoas colocavam moedas de R$ 0,25, apertavam o botão ou puxavam a alavanca e esperavam o resultado. Na maioria das vezes era negativo. Novas moedas eram colocadas, umas atrás das outras. Olhos fixos na máquina a espera do resultado. Um senhor, depois de colocar várias vezes algumas moedas, ganhou 80 moedas. Voltou a jogar de novo tudo o que havia ganho. Outro senhor chegou perto de mim e disse que, só naquele dia, havia perdido R$ 75,00 e que tudo aquilo era ilusão, mas que não conseguia se libertar daquele vício. Minutos depois, lá estava ele novamente jogando. Saí daquele bar com um mal estar em vê-los naquela jogatina; pareciam estar hipnotizados.

Extraí do site dos jogadores anônimos uma pequena história. Ela diz que tudo começou através de uma reunião entre dois homens, em janeiro de 1957. Estes homens possuíam uma história repleta de confusão, encrencas, misérias, dívidas e uma obsessão para jogo. Eles começaram a se reunir regularmente, e conforme passaram os meses, nenhum deles tornou a jogar. Em conseqüência disto, formou-se uma publicidade favorável e a primeira reunião do grupo de Jogadores Anônimos aconteceu numa sexta-feira, 13 de setembro de 1957, em Los Angeles, Califórnia. Desde essa data, a irmandade vem crescendo com firmeza e os grupos estão florescendo por todas as partes do mundo. Jogadores Anônimos é uma irmandade de homens e mulheres que compartilham suas experiências, forças e esperanças, a fim de resolverem o seu problema comum e ajudarem outros a se recuperar da compulsão ao jogo.

Por mais que alguns considerem o vício do jogo um desequilíbrio ou uma doença, devemos analisar também o lado espiritual. Já reencarnamos várias vezes; tivemos muitas vidas, fizemos grandes amigos, da mesma forma que prejudicamos outras pessoas, o que vem acarretar um número considerável de inimigos. E são estes desafetos que passam a obsediar o antigo adversário. Muitas vezes, não têm dificuldades em tal mister, pois o pensamento do encarnado entra em sintonia com os obsessores, facilitando o controle da mente. Sendo assim, a "presa" se torna alvo de manipulação e o vício do jogo é um caminho para destruir materialmente e moralmente o indivíduo.

Auxílio espiritual

Sem a fé e sem a oração, o obsediado se deixa levar pelos males do jogo. Precisa chegar ao fundo do poço para lembrar-se de Deus. E é neste momento que alguém aparece na vida desta pessoa para encaminhá-la ao tratamento devido. Só que, muitas vezes, até este momento chegar, a pessoa já perdeu amigos, filhos, esposa, emprego etc. É como se tivesse chegado à beira do abismo, pronto para pular. E muitos acabam pulando, ou seja, praticam o suicídio, pois pela falta de fé, não conseguem identificar os enviados de Deus que poderiam lhe ter auxiliado a encontrar o tratamento que tanto necessitavam para vencer aquelas adversidades espirituais.

No livro Fundamentos da Reforma Íntima, de Abel Glaser, pelo espírito Cairbar Schutel, podemos ler que "o ser humano que não exercita a autocrítica deixa de fortalecer e cultivar sua fé nos postulados cristãos, terminando por agir camufladamente no tocante aos seus sentimentos. Com isso, torna-se presa fácil dos inimigos do Bem. Atrai e deixa-se levar pela obsessão. Por outro lado, quem está sob esse processo nefasto, fraqueja nas condições efetivas de empreender a reforma íntima. Com isso, surge o círculo vicioso da obsessão/ausência de reforma íntima".

Nos centros espíritas, o encarnado pode conseguir ajuda e tratamento através da desobsessão, palestras públicas, água fluidificada, leituras edificantes e o culto do evangelho no lar. Mas a pessoa deve estar disposta a fazer uma reforma íntima e moral, mostrando aos seus obsessores que não são mais aqueles algozes do passado. "Vista sob o prisma genérico, a reforma íntima é o propulsor indispensável para fazer todo o processo global da evolução do ser e impulsioná-lo à total purificação. No ângulo específico, a reforma íntima constitui-se de atos isolados, no dia-a-dia do encarnado, levando-o a melhorar-se nas suas mais variadas atitudes, para depois, ampliando o contexto, alterar sua conduta, tornando-a cada vez mais próxima do comportamento ideal e cristão", escreve Abel Glaser.

Vale sempre lembrar que o encarnado deve tomar muito cuidado com seus atos e pensamentos. Em Estudando a Mediunidade, Martins Peralva escreve que "pensar demais em si mesmo e nos próprios problemas, determina uma auto-obsessão. O indivíduo passa a ser o ´obsessor de si mesmo´ . Não haverá um perseguidor: ele é, ao mesmo tempo, obsessor e obsidiado". Ou seja, o imediatista, que quer resolver todos os seus problemas da noite para o dia e vê no jogo uma solução rápida, acaba caindo na teia das ilusões, pegando um atalho que vai levá-lo a um caminho distante, algumas vezes sem volta, outras vezes doloroso, ao retornar para a estrada principal da vida, que é a evolução do ser (na estrada da evolução não existem atalhos).

Este artigo tem a intenção de fazer com que aquelas pessoas que estão passando por este distúrbio venham a procurar ajuda. Se você tem algum familiar, amigo ou conhecido que precisa de tratamento, auxilie enquanto é tempo. A intenção não é prometer a cura através do espiritismo, até por que, como escrevemos anteriormente, ela depende de uma série de coisas. Mas se você não é espírita e prefere fazer o tratamento de outra forma, indicamos o Comitê Nacional de Serviço dos Jogadores Anônimos. Eles estão desenvolvendo um trabalho maravilhoso no sentido de recuperar para o convívio social as pessoas que estão envolvidas com o jogo. Eles podem ser considerados, também, enviados de Deus. Não deixe escapar esta oportunidade!

Vença mais este obstáculo em sua vida!

 

Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 36.
Ao usar o texto, citar o autor e a fonte.
 

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