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Relembrando Chico Xavier PDF Imprimir E-mail
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Artigos on line - Artigos
Seg, 27 de Novembro de 2006 15:53

Desde nosso último encontro com o médium, orador e escritor Carlos A . Baccelli, há três anos, quando realizamos uma revista especial em homenagem a Chico Xavier, muitas polêmicas foram criadas a seu respeito. O médium uberabense, que foi amigo pessoal de Chico Xavier por mais de 25 anos e publicou mais de oitenta obras, tem sofrido algumas críticas em decorrência de ter publicado mensagens de Chico Xavier após seu desencarne no livro O Espírito de Chico Xavier e também pelo fato de defender publicamente que Chico Xavier foi Allan Kardec. A tese foi transformada em obra literária – Chico Xavier - A reencarnação de Allan Kardec. O livro ainda não foi publicado (até o fechamento desta edição).

Sobre a primeira discussão, Baccelli diz não existir polêmica, já que cada um tem o direito de manifestar o que pensa. "A nossa fé é raciocinada, não aprendemos a respeitar a liberdade de pensamento das pessoas?", questiona. "Eu creio que Chico Xavier foi Allan Kardec, mas respeito aqueles que pensam de forma diferente", complementa.

Quanto as questionadas mensagens psicografadas por ele e ditadas por Chico Xavier, logo responde que Allan Kardec em O Livro dos Médiuns salienta que se identifique a autoria pelo conteúdo e não pelo nome. Também afirma não acreditar em códigos secretos deixados pelo amigo de tantos anos a pessoas que identificariam a veracidade de suas mensagens. "Quem passou a vida inteira repetindo para quem quisesse escutar que era um cisco, não deixaria senha para se identificar. Aqueles que dizem possuí-la deveriam exibir um documento assinado por ele, e mesmo que fosse examinada a autenticidade dessa assinatura, não duvido até mesmo que em determinadas ocasiões possa ter sido falsificada", desabafou.

Baccelli ainda comentou que as pessoas que quiseram controlar Chico Xavier nos últimos anos de sua vida, quando ele se revelou fisicamente dependente, continuam querendo tirar partido e controlar seu espírito.

Em entrevista à Revista Cristã de Espiritismo, Carlos Baccelli, que além do trabalho mediúnico se dedica também à obras assistenciais, como a creche Vovó Zoraide e o Lar Espírita Pedro e Paulo, que abriga 30 idosos, falou sobre sua convivência com Chico Xavier e outros temas importantes, como mediunidade.

Você psicografou mensagens de Chico Xavier?

Porque o espírito de Chico não poderia se comunicar? No que ele seria melhor que Jesus, que no terceiro dia veio ao encontro dos discípulos se mostrando a Madalena e aos apóstolos.

Seria contraditório um homem que sempre lidou com mediunidade se negar ao intercâmbio conosco que tanto precisamos dele. Quanto ao livro que psicografamos, O Espírito de Chico Xavier, está ai para a apreciação dos estudiosos; que julguem o conteúdo da obra. Se não a considerarem digna, que a joguem no lixo e o problema estará resolvido.

Eu estou falando isso com base em uma lição que Irmão José me deu lá no Lar Espírita Pedro e Paulo quando me sentia frustrado após uma sessão de psicografia. Chamou-me a atenção dizendo que se estava tão temeroso, que colocasse uma lata de lixo na porta com o seguinte dizer: "Se você não aceita a sua mensagem como autêntica, jogue-a no lixo".

E quanto à tese de Chico Xavier ter sido Kardec?

Peço permissão para expressar a minha opinião de que Chico foi Kardec. Sua obra é o nosso grande ponto de referência. Quando Allan Kardec desencarnou, Camille Flamarion discursou ao pé de seu túmulo: "A obra há de substituir o obreiro".

Nós percebemos muitos candidatos a substitutos de Chico Xavier, mas eles não existem. A obra mediúnica de Chico é que o substitui, e acima de tudo, seus exemplos de vida. Em certas ocasiões, recebo informações de pessoas até atuantes no movimento espírita dizendo que estou idolatrando Chico Xavier e que estou querendo fama em cima de um cadáver, como até chegaram a escrever, atribuindo o escrito a um espírito, quando sabemos que foi uma mistificação. É claro que reconheço minha insignificância; estou com 52 anos e não tenho nenhuma aspiração à fama. Cumpro apenas o meu dever. Não estou querendo idolatrá-lo, gostaria apenas de chamar atenção à sua obra, complementando e atualizando a obra de Kardec.

O fato de Allan Kardec ter sido um homem culto, não o impediu de ter sido simples e despojado. Quando desencarnou, estava de mudança para uma pequena vila que havia construído para os pobres, como Chico viveu. Mas muitos contestam a tese de Chico ter sido Kardec porque ele não cursou as academias do mundo, não foi além do quarto ano primário. Alguns dizem que um homem simplório como Chico não poderia ter sido um intelectual da estatura de Kardec, quando na verdade, Chico, além de médium, discorria sobre qualquer assunto. Ele foi um espírito e um médium que viveu ocultando a sua própria grandeza e por isso ele vivia repetindo que era um cisco, um verme e na mediunidade apenas um animal puxando a carroça.

Voltando a questão da polêmica, alguns querem transformar o assunto em polêmica, mas eu defendo a tese sem polemizar.

Já que dedica grande parte de seu tempo aos trabalhos mediúnicos, em especial a psicografia, gostaríamos que falasse sobre o tema mediunidade.

Acredito que a mediunidade é um tema que merece muito estudo nas casas espíritas, onde percebemos mais a presença do mediunismo do que propriamente da mediunidade. Infelizmente, as pessoas se lançam à atividade mediúnica sem o mínimo de preparo, de conhecimento e disciplina. Desejam intercambiar com os desencarnados, se esquecendo que o nosso compromisso na Terra é com os encarnados e que a mediunidade é um instrumento de serviço, é um exercício espiritual, inclusive de autoconhecimento.

Muitos exercem a mediunidade sem maiores preocupações éticas, atraindo espíritos que, às vezes, pouco ou nada têm a acrescentar. A mediunidade é basicamente sintonia; quem se faz receptivo, recebe. As pessoas imaginam a mediunidade como um apêndice e que podem cuidar da mediunidade sem cuidarem de si mesmas. O médium precisa se preparar espiritualmente e como ser humano. Costumamos dizer que Chico Xavier, que foi a expressão máxima da mediunidade, não teria se tornado um grande médium se não tivesse sido a pessoa que foi.Os espíritos superiores dizem que educar ou desenvolver a mediunidade significa desenvolver o espírito do médium. Dr. Odilon Fernandes, autor espiritual de uma série de livros sobre mediunidade, tem uma frase que eu considero muito importante: "Tal o médium, tal a mediunidade".

Toda tarefa e atividade espiritual na vida cotidiana contribuem para um aflorar da espiritualidade. Quando afloramos a espiritualidade e passamos a conviver com seres espiritualizados encarnados ou desencarnados, passamos a "exigir" outro tipo de alimento espiritual para a nossa vida íntima. Esse contato com a espiritualidade deve ser permanente, por intermédio do pensamento, da intenção, das atitudes e da coerência com aquilo que cremos. Fala-se muito em defender a pureza doutrinária, mas ninguém defende pureza doutrinária sem se fazer mais humilde e sem vivenciar, na prática, a mensagem que a doutrina espírita nos traz.

Em sua opinião, muitas pessoas estão enfatizando mais a questão do mediunismo do que o autoconhecimento e a reforma intima?

Acho que essa é uma questão que os próprios médiuns precisam refletir. Os candidatos à médium têm que compreender a mediunidade de uma forma diferente. Todo ser espiritualizado, seja espírita ou não, é portador de faculdades paranormais e psíquicas. Muitos dos santos da igreja católica, monges budistas mais disciplinados e seguidores de outras religiões foram portadores de tal capacidade. A mediunidade independe da condição religiosa. O mérito de Allan Kardec foi o de ter estudado, criado uma terminologia própria e dado à mediunidade fóruns de ciência, tratando-a como merece ser tratada. Antes, os médiuns eram considerados feiticeiros, perseguidos e mortos, constrangidos à internação psiquiátrica por falta de entendimento.

Outro ponto que deve ser analisado é a obsessão, que também é um processo mediúnico. Na base, o mecanismo é o mesmo, só que no caso da obsessão a pessoa é portadora de uma faculdade mediúnica enferma.

Semelhante atrai semelhante, esse é um processo que rege a mediunidade.

Quando o médium procura se espiritualizar, aprende a manter contato com espíritos mais esclarecidos, sabe lidar com espíritos comuns que pululam ao nosso redor.

Como desenvolver a mediunidade de forma adequada?

Nós observamos que os médiuns têm se precipitado muito. Querem publicar livros com as primeiras mensagens que recebem ou exercer uma atividade de cura logo no início, antes da necessária vivência na Casa Espírita. Essa vivência coloca o médium em contato com as pessoas, porque não podemos exercer mediunidade contatando apenas com os desencarnados.

O movimento espírita não pode se centralizar em determinadas lideranças, em determinados médiuns e espíritos, como também não pode se restringir ao âmbito da Casa Espírita. Chico Xavier nos ensinava isso quando nos arrastava do centro espírita para a periferia. Inclusive, publicamos um livro há algum tempo atrás, Chico Xavier – À sombra do abacateiro, narrando as reuniões inesquecíveis que ocorriam aos sábados à tarde na periferia da cidade. Nesses encontros, praticávamos um espiritismo à céu aberto. Chico sempre combateu o elitismo, que é uma influência perniciosa e imperceptível, que às vezes vai se infiltrando por meio daqueles se fazem excessivamente intelectualizados, sem se preocuparem com o aspecto consolador da doutrina. Não é possível consolar nos mantendo à distância, sem fazer a mensagem chegar aos filhos do calvário. O Evangelho nasceu com Jesus pregando na periferia, às margens do lago, nas montanhas, nas estradas e convivendo com as pessoas simples do povo.

Hoje, de certa forma, está havendo um abandono das periferias por parte dos espíritas. Não podemos nos esquecer de uma frase que é atribuída a Léon Denis: "O espiritismo será o que os homens fizerem dele". Portanto, os espíritos estão em permanente contato conosco, mas a aplicação da doutrina é nossa.

Nós ficamos discutindo sobre qual é a tradução mais fiel do Novo Testamento e o que Jesus quis ensinar em suas parábolas. Mas Jesus permanece na expectativa de que nós, cristãos, venhamos a traduzir seus ensinamentos em atitudes. Nós ficamos presos a detalhes que são menos importantes, a essência dos ensinamentos do Evangelho não permite duplas interpretações. Os espíritos adversários da doutrina, altamente intelectualizados, que não querem o progresso da humanidade, induzem as discussões. A palavra esclarece, mas precisamos agir na transformação do mundo, melhorando a vida em torno de nós.

Fale sobre a coleção de livros que aborda, em especial, o tema mediunidade?

Dr. Odilon é um espírito estudioso da mediunidade. Já o era quando era encarnado e continua agora estudando o assunto no mundo espiritual. E tanto quanto a minha capacidade receptiva permite, ele tem transmitido alguma coisa que tem sido muito útil aos médiuns que estão se formando.

Os espíritos trabalham no sentido de que os médiuns se façam médiuns à luz do conhecimento espírita, para que possam continuar veiculando a mensagem e dando seqüência à dinâmica da revelação. Porque a doutrina espírita não é uma doutrina estanque. Allan Kardec deu apenas a primeira palavra, Deus nos livre se ele tivesse escrito que nada mais haveria a ser acrescentado.

Quantas obras publicadas?

Sinceramente, não me preocupo com a quantidade; os amigos é que costumam contar. Acredito que, atualmente, temos mais de 80 dentre as psicografadas e de minha própria autoria.

Dentre alguns títulos estão: Mediunidade e Animismo, Dias Melhores, Espíritos Elementais, O Evangelho de Chico Xavier, O Espírito de Chico Xavier, Na Próxima Dimensão, Do Outro Lado do Espelho, entre muitos outros livros.

O próximo lançamento será Chico Xavier - A Reencarnação de Allan Kardec. Trata-se de um estudo e a coletânea de diversos depoimentos de amigos que conviveram com Chico Xavier. É um livro histórico que deixaremos para as futuras gerações. Repito a dizer que respeito os que pensam de maneira diferente.

Agora, em minha opinião, Chico foi Kardec e vou repetir isso até quando estiver na carne e se tiver um médium que me tolere e aceite depois, continuarei escrevendo o que penso.

Fale sobre o consolo às pessoas que perderam seus entes queridos por intermédio da psicografia?

Considero esse trabalho muito importante no aspecto consolador da doutrina. Mas muitas vezes não compreendo o porque desse trabalho ser tão combatido, principalmente por médiuns que não o realizam.

É uma tarefa que exige sacrifício do médium e é desgastante tanto do ponto de vista físico quanto psíquico. Não podemos ficar na crença de que todas as nossas energias serão repostas pelos espíritos. Quantas vezes, após horas de trabalho nas sessões de psicografia, Chico Xavier ficava exausto. É importante lembrar que na mediunidade, o médium também trabalha intelectualmente, não é apenas uma máquina.

Outro ponto relevante que precisa ser destacado é a entrevista realizada pelo médium com as pessoas interessadas em uma psicografia. É nesse momento que começa o trabalho de triagem e entrosamento com o espírito, porque até então esse espírito é um ser estranho para o médium.

Embora Chico Xavier não precisasse fazer essas entrevistas com as famílias dos desencarnados, mesmo assim a fazia. Como Emmanuel no diz no livro Seara dos Médiuns, ser médium é ser ajudante do mundo espiritual.

Em muitos casos, a dor pela perda de um filho é tão grande que os pais não se contentam com uma mensagem de poucas páginas. Na verdade gostariam que o filho voltasse a eles pelas páginas psicografadas. Eu falo com toda sinceridade: na condição de médium psicógrafo me sinto frustrado a cada mensagem que recebo, porque percebo que a mediunidade é um sistema de intercâmbio com o mundo espiritual ainda muito limitado.

Paulo de Tarso, em uma de suas epístolas aos Coríntios diz: "A profecia é para os que crêem, não para os que duvidam".

Em sua convivência com Chico Xavier qual foi o maior aprendizado que teve?

Como espírita convicto desde os 18 anos e amigo particular de Chico Xavier que fui, digo que mais do que um privilegiado por ter compartilhado sua convivência, sou um grande responsabilizado.

Aprendi muitas coisas, principalmente a falar o que penso e a não ter medo das conseqüências. Porque sou sincero, não faço comércio da doutrina, estou à serviço dela.

Ele sempre dizia que nós não podemos nos omitir em termos doutrinários. Este seria o chamado "pecado contra o espírito santo", ao qual Jesus se refere no Evangelho. Isso quer dizer a pessoa de caso pensado desfigurar a verdade ou por interesse pessoal não a defender. Nós estamos vivenciando um momento no movimento espírita que precisamos mais do que nunca ser transparentes e ter muito cuidado com o chamado elitismo, porque de fato ele está se infiltrando.

Certa vez, em Uberaba, alguém perguntou a Chico a qual das associações espíritas ele pertenceria. Ele respondeu: "Meu filho, eu pertencerei a Associação dos Mendigos Espíritas". Que isto sirva de meditação e alerta para todos nós.

Mesmo sendo Chico Xavier portador de uma faculdade mediúnica única, não há nenhum outro médium e orador como ele em nosso meio. Falava com sabedoria e amor. Quando ele fazia qualquer comentário à sombra do abacateiro, nós todos nos aquietávamos e tentávamos nos aproximar daquela fonte que jorrava pura. Ele não precisava se colocar de pé para ser notado ou escutado, as pessoas que o faziam.

Quem conviveu com Chico Xavier e o conheceu na intimidade não consegue deixar de exaltar o médium e o homem transparente que foi. Em sua humildade, quando o chamaram de missionário ele disse: "Meu filho, a missão do pé de capim é alimentar o boi". Ele teve todos os méritos e precisamos ter por esse homem uma gratidão e um respeito muito grande. Jamais precisou de holofotes para refletir, tinha luz própria.

Para encerrar, deixe-nos uma mensagem!

Aos nossos irmãos da Revista Cristã de Espiritismo, uma revista que está tendo muito boa aceitação em nosso meio e que está prestando relevante serviço à divulgação da doutrina, aos que trabalham neste veículo de comunicação, nosso abraço, carinho e a nossa palavra de incentivo. Aos espíritas de um modo geral, a nossa fraternidade e que perdoem a nossa a maneira franca de falar, mas sem o menor propósito de ferir a quem quer que seja. Acho que precisamos definir bem as nossas posições. Que nós continuemos a trabalhar por essa causa que é muito maior do que qualquer um de nós e que todos juntos ao mesmo tempo.

 

Este artigo foi publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 33
Ao usar o texto, favor citar o autor e a fonte.
 

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