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Minha vida
Artigos on line - Artigos
Escrito por Robson Pinheiro   

Sou brasileiro, mineiro, médium, terapeuta, uma pessoa comum como tantas outras.

1,83 de altura, 89k, moreno claro, comprometido com o ideal espírita, perfeitamente humano e cheio de perguntas para as quais não tenho respostas, embora eu tenha muitas respostas para perguntas que nunca formulei.

Adoro ser humano, gente, conversar um bom papo, ser amigo, rir, sorrir, divertir. Não sou obcecado com trabalho. Acho que precisamos de um tempo para curtir a vida, o mundo e as pessoas. O planeta Terra é muito bonito e precisamos ter um tempo à disposição para apreciar este mundo e suas experiências.

Adoro viajar, respirar ar puro, ouvir música MPB. Curto muito cinema – principalmente drama, comédia romântica e suspense. Como carne vermelha, branca, roxa, amarela. Sou apenas humano como você e muita gente boa por aí.

Manias? Adoro ficar só em meu apartamento. Curto muito meu lar.

Nasci em Ataléia, uma cidadezinha mineira, pacata e quase divertida. Tenho quarenta e poucos anos, porém, com aparência de … 35 e meio... Tive a oportunidade de conviver com uma pessoa maravilhosa que na terra foi a minha mãe Everilda Batista. Com ela aprendi a ser gente, amar as pessoas, valorizar tudo e todos. Acho que aprendi também a ser simples em minha maneira de ver o mundo.

Mediunidade

Minha vida é feita de encantos, de desencontros e encontros, enfim, ela sempre foi e será cheia de encantamentos. Falo assim porque desde que me dei por gente as coisas parecem diferentes para mim. Seriam diferentes também para os outros meninos? Eu só saberia mais tarde, como hoje sei.

Minha vida é cheia de mistérios que ainda hoje teimo em desvendar, na tentativa de compreender o porquê da existência, da minha própria experiência de viver. Anseio por um mundo novo que talvez esteja o tempo todo escondido em meu próprio coração. Somente ao rever certos fatos vividos é que posso avaliar melhor quanto caminhei e quanto me falta caminhar. Creio mesmo que sou apenas um andarilho a caminho de mim mesmo, em busca de uma estrela. Uma estrela que um dia brilhou no passado e que certamente brilhará algum dia, em algum lugar.

Desde criança aprendi a brincar com o vento, com as vozes, com os vultos. Desde criança minha mãe sabia que eu teria um destino diferente de meus irmãos. Ela me contava, em nossas conversas, que temia o dia em que eu iria embora para o mundo — expressão tão ao gosto de minha saudosa mãe — e não voltaria mais.

Um dia eu escapei de perto dela. Na verdade escapei de dentro de mim, do corpo, da forma de criança. Lembro-me bem de que já ia me deitar, depois de um dia cheio de estripulias próprias de criança, quando me senti algo diferente. Era como se um formigamento tomasse conta de meu corpo todo e eu estivesse com vertigem. Não quis contar o fato a ninguém, pois imaginava que me colocariam contra a parede, devido às peraltices que eu aprontara juntamente com um dos meus irmãos. Com medo e um pouco assustado, decidi ir para a cama logo cedo, sem as costumeiras brincadeiras junto à minha mãe. A sensação de vertigem parecia aumentar, quando ensaiei gritar, procurando chamar a atenção das pessoas ao meu redor.

A voz, contudo, não saía da garganta. Fiquei apavorado. Tentei abrir os olhos e não conseguia. Mas eu via; mesmo sem os olhos abertos, eu via. Sem os olhos, eu percebia tudo à minha volta, também sem entender o que se passava. Começava aí minha primeira experiência psíquica. Sentia-me girar sobre mim mesmo, sem obter o controle da situação. Deitado na horizontal, percebia-me girando devagar, para depois decolar vertiginosamente para além do corpo, que repousava naquele momento sobre a cama.

A paisagem abaixo de mim parecia ser feita de sonhos. Uma campina imensa perdia-se de vista. E eu percebia sem enxergar. Participava de tudo e gravava cada detalhe da assombrosa excursão para além de minha imaginação. Árvores cujas copas desafiavam os céus e flores silvestres pululavam na paisagem que eu sobrevoava como um super-homem-menino. Era o início de uma aventura que jamais teria fim. Para onde me dirigia? Na certa eu não saberia dizer naquela época, como ainda agora não sei. Apenas me deixava conduzir pelas asas do vento.

Aprendi a me tranquilizar à medida que aquelas experiências iam se repetindo dia após dia. Elas se repetiriam durante muitos anos de minha vida afora. Aprendi com o tempo alguns termos que definiriam tais experiências, mas que não serviam para expressar a grandeza daqueles momentos. Talvez minha mãe teria algo para me dizer a respeito de minhas viagens. Lembro-me de que ela se sentava ao meu lado, enquanto eu me deitava, e tocava-me suavemente, com a mão sobre a fronte, como a me cariciar. Saberia ela o que se passava comigo? Só percebi que sim quando, algum tempo depois, me disse ao ouvido, baixinho: — Vá, meu filho, vá passear com seus amiguinhos e aprenda com eles o quanto eu te amo. Depois de voltar ainda estarei aqui, ao seu lado, para abraçar você. Se algum dia você achar que não deve voltar, lembre-se de que estarei ainda assim te esperando com o coração cheio de carinho.

De onde eu estava ouvia minha mãe. Será que eu ouvia com o coração? Não sei dizer ao certo. Eu apenas ouvia. Também não sei quais palavras usar para descrever aquela situação, aquele estado em que me encontrava. Eu estaria onde, ou quando? Em qual tempo ou em que lugar?

Assim eu viajava, assim eu viajei durante toda a minha vida; até hoje, quando escrevo estas palavras, eu viajo nas lembranças de mim mesmo.

Os dias de juventude eram dias como qualquer outro, e meus anseios eram tantos que me sentia inquieto diante do futuro. Não sabia que estava numa encruzilhada de minha vida. Já havia projetado meu futuro em termos bem diferentes do que ocorreu. Era evangélico, bem realizado e plenamente convicto de minhas crenças. Mas, ainda assim, não me lembro de uma época em que os espíritos não estivessem presentes em minha vida. Mesmo sendo evangélico, convivi com espíritos amigos, que, de tempo em tempo, se faziam presentes e perceptíveis à minha visão espiritual. Naturalmente, naquela época eu não sabia qual a intenção desses espíritos, aos quais eu chamava de demônios.

Foi num desses dias tão comuns a qualquer mortal que tive, pela primeira vez nesta existência, a certeza de que alguém velava por mim. Embora não compreendesse certas verdades àquela época, um espírito amigo se fazia presente em minha vida. Entre tantos encantos e desencantos, aprendi a respeitar a figura veneranda de Zarthú, o mentor ao qual dedico estas minhas palavras singelas. Como amigo, ele soube se ocultar durante anos, durante minha infância e juventude, sem fazer alarde, sem me forçar a nenhuma situação constrangedora. Sempre ali, calado, paciente, presente, firme. Eu não compreendia o porquê; somente via aquele homem alto, barba rala, bem feita, uma expressão de tranqüilidade no rosto. Emoldurando sua cabeça, um turbante azul claro; uma aura azul e dourada irradiava suavemente em torno de si.

Ele me olhava, me seguia, ele estava ali, sempre alerta, em muitas ocasiões importantes de minha vida. Eu o via, mas não o escutava. Havia um silêncio que eu não tinha coragem de romper, o qual me inspirava segurança, reverência e me deixava sensível até meus olhos molharem-se de lágrimas. Eis o que Zarthú me fazia sentir. Ele me emocionava.

Mesmo assim eu cresci acreditando em outras coisas, pois não havia ninguém para me explicar o sentido de tudo o que me ocorria. Sempre acreditei em Nosso Senhor Jesus Cristo, segundo a minha fé. Mas, mesmo na igreja, entre os salmos e hinos de louvor e adoração, lá estava Zarthú. Ele me olhava, e eu sentia a força de seu magnetismo, de seu carinho. Naquela época eu diria: ele foi o amigo silencioso.

Companheiro incomparável, o espírito amigo incentiva todos os passos em direção à realização e satisfação íntima. Lembro-me ainda de suas palavras, lá pelos idos de 1980: — Estuda e dedica-te à aquisição de conhecimento. Mais tarde voltarei a ti para tomar as lições de amor que a vida dá. Até lá, não te preocupes com fenômenos e não te inquietes por fazer aquilo que nem Deus espera de ti.

Dá tempo ao tempo e prepara-te para a tarefa que teremos pela frente. Não tens nenhuma missão a cumprir, portanto aquieta-te. Se te dedicares ao estudo, com certeza te promoverás a tarefas importantes para tua própria elevação. Todos esses pensamentos, todas essas emoções e lembranças cariciosas me remetem ao passado, no ano de 1979, na cidade de Governador Valadares, região leste de Minas Gerais. Era uma tarde de sábado. Deveria realizar uma pregação na igreja da qual participava, quando Zarthú resolve aparecer. Ele e um amigo espiritual, ao qual devo os melhores momentos de minha vida: Joseph Gleber.

Eu lá, parado, esperando o coral cantar. Ao meu lado, os pastores que aguardavam o momento em que iria falar àquela assembléia e decidiria para sempre o meu destino. Assim eu pensava, assim eu esperava. Eu queria, com todas as forças de minha alma, ser um ministro de Deus. Aquele era o dia do teste, da pregação da palavra de Deus. Dali, sairia mais um pastor, mais um ministro consagrado ao Altíssimo, conforme era esperado por todos. Creio que minha mãe nunca rezou tanto como naquele dia.

Ela sabia que aquele não era o meu caminho. As mães são sempre mães. Quando eu disse para ela que seria um pastor evangélico — minha mãe não era evangélica —, ela me disse que aguardasse o tempo e que o tempo é mais sábio do que eu.

Eram palavras enigmáticas, que escondiam a sabedoria de uma mulher simples, mas que sabia amar.

 

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