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Uma Janela para os Pais
Artigos on line - Artigos
Escrito por Victor Rebelo   

A escritora e pedagoga Ingrid Cañete acaba de lançar seu mais recente livro – Uma Janela para os Pais (Edições BesouroBox) – dessa vez, analisando a fundo a maternidade e paternidade

Ela foi entrevistada para a edição 123 da Revista Cristã de Espiritismo, de dezembro de 2013. Leia, a seguir, um pequeno trecho da entrevista.

Você diz, no livro, que “As mulheres e seus parceiros acabam não sendo informados, orientados e esclarecidos sobre muitas questões práticas e objetivas que fazem e farão parte da vida a partir do momento em que decidem ter um filho.” Fale um pouco sobre este ponto, por favor.

Em nossa sociedade brasileira, mais especificamente e acredito que em muitos outros países, falta uma consciência maciça de que não nascemos todos com os mesmos predicados, talentos e habilidades e de que, portanto, não nascemos todos vocacionados para exercer a paternidade. Parece que temos vivido, há séculos, como se essa vocação fosse natural em todo o ser humano e não é!

A maioria das pessoas segue seus instintos e deixa-se conduzir pelas pressões sociais que indicam que se deve ter filhos para se perpetuar, para manter o sobrenome, para preencher o vazio que muitas vezes habita nos casais e nas famílias, para “tentar consertar” as relações desgastadas, entre outras varáveis, enfim... Mas falta uma reflexão mais profunda e a coragem de questionarmos, como sociedade, o sentido da paternidade e da maternidade. Falta olharmos de frente para todos os problemas criados em nossa sociedade, pela falta de consciência quanto a esse tema e a falta de planejamento e de educação para exercer a missão mais sagrada de todo o ser humano, que é gerar e criar um filho.

Na Espanha, há alguns anos, foi criada a Universidad para Padres (Universidade para Pais, em português), uma iniciativa de um professor que sentiu a necessidade de investir na educação e na orientação dos pais desde o período da gestação até os 16 anos de idade. Esse curso conta com aulas presenciais e à distância, e com sistema de tutoria. E um dos motivos para sua criação foi o alto e crescente índice de criminalidade entre os jovens naquela sociedade. Nós, aqui no Brasil, não temos ainda nenhuma iniciativa deste gênero, a menos que eu esteja muito desinformada. Acredito que precisamos urgente criar “Universidades para Pais”. Além de oferecer informação, orientação e conscientização, deveremos também contar com tutores preparados para acompanhar os pais desde a gestação até, pelo menos, os 16 anos de idade, como fazem os espanhóis.

Afinal, ter filhos não é apenas uma questão de poder gerar e depois criar com base em recursos financeiros e poder colocar em uma boa escola, além de propiciar aulas extras de esportes, idiomas e outras habilidades, não! Pelo contrário, o mais importante de tudo é ter vocação, ter saúde física, mental e espiritual e muito amor para poder gerar e acolher um ser humano como ele merece e precisa ser gerado e acolhido. Muitos pais relatam o quanto planejaram ter um filho e como a chegada, em muitos casos, foi assustadora, impactante e os deixou sem saber o que fazer, pois tudo o que pensavam e ouviram sobre ter filhos estava bem distante da realidade prática!

Exercer a paternidade exige habilidades e competências múltiplas e uma sensibilidade profunda. Nossa sociedade capitalista instigou a mulher a ir para o mercado de trabalho e ajudou, assim, a desmanchar e a desestruturar os núcleos familiares sem criar correspondentes apoios sólidos e saudáveis, como horários flexíveis para pais e mães, creches de qualidade dentro das empresas e capazes de acolher e de realmente assegurar o desenvolvimento saudável das crianças próximas de seus pais. Empresas essas que não investiram na conscientização de seus colaboradores para exercer tais funções essenciais, como pais e mães com a devida consciência, pois não pensaram e não pensam ainda que os filhos de seus colaboradores serão a próxima geração de colaboradores e que seria muito mais sábio e ético assegurar às gerações futuras condições justas e dignas de saúde do que ter de lidar com a loucura social generalizada em que vivemos hoje, enfim...

Então, precisamos pensar, refletir e agir rápido e em cooperação, para que possamos criar uma sociedade em que todos os adultos sintam-se responsáveis por todas as crianças e jovens, independente de serem pais por consanguinidade. Dessa forma, poderemos também nos sentirmos, como sociedade, mais fortalecidos e seguros para que, como indivíduos, possamos dizer não para a pressão social que nos indica que “devemos ter filhos” depois que nos casamos ou temos um parceiro. Poderemos nos realizar ajudando a cuidar de todas as crianças e jovens que existem em situação de miséria e que de alguma forma são órfãos de pais vivos, sem que tenhamos que, necessariamente, ter filhos sem ter a devida vocação e as necessárias condições e estrutura para suportar tudo o que isso implica. É mais ou menos por aí...

Para você, o que é ser mãe?

Ser mãe é, acima de tudo, amar o ser humano incondicionalmente e se dispor a acolhê-lo e ajudá-lo por toda a vida a caminhar, no seu ritmo e de acordo com as suas reais potencialidades, na direção de se tornar quem ele realmente é e, assim, realizar seu propósito e missão de vida. Dessa forma, entendo que ser mãe, de verdade, transcende a condição de gerar um filho de forma carnal...

 

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