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Olá, rapaz. Sim, recebi sua carta e também me lembrei de sua presença extrafísica naquela projeção nos níveis densos do Astral. Ir ao Umbral é fogo, não é mesmo?

Mas, quem mandou você se oferecer para assistência extrafísica?

Agora aguenta o tranco, cara. Isso é coisa para quem é firme e dedicado.

No seu relato você apenas descreve o ambiente escuro e cheio de espíritos infelizes e suas formas mentais horrorosas. Fala dos gritos deles e do peso energético que nem deixava a volitação acontecer direito.

 

É verdade. Voar nesses ambientes é muito complicado, devido à densidade das energias. Mas o pior é discernir entre o que é real e o que são formações mentais, plasmadas inconscientemente no ambiente pelas mentes dos caras infelizes que estacionaram espiritualmente por ali.

Porém, apesar de descrever corretamente o ambiente e a situação, você não percebeu algo a mais, talvez até pelo impacto de só ter prestado atenção nas condições mórbidas dos caras. Aliás, será que você não colocou um pouco de julgamento no que viu? Algo como ter pensado que aquele pessoal era muito depravado para receber a ajuda do Alto? Ou, então, pensar que a assistência extrafísica dos amparadores (sutil e intangível) havia errado o alvo dessa vez?

Digo-lhe isso porque você não viu o principal, logo depois de ter voltado para o corpo, provavelmente decepcionado com o que viu e julgando o lance dos caras infelizes de modo infantil e despropositado.

Ocorre que, logo a seguir, no meio daquele caos extrafisico, onde se misturavam lamúrias, correrias, ambiente escuro, formas mentais horríveis e energias agressivas, desceu um grupo de amparadores maravilhosos.

Eram apenas homens e mulheres desencarnados, cheios de boa vontade em servir, sem julgar ninguém, apenas dando uma força para os infelizes do caminho. Mas, juro para você, que naquele momento eles mais pareciam um grupo de anjos que havia descido no Umbral. Eles estavam vestidos de branco e aplicavam passes energéticos luminosos na galera doente dali. De suas mãos jorravam feixes de luz branquinha brilhante, e então, o ambiente infernal virou paraíso de luz!

Procurei você, mas não o vi mais. Daí, deduzi que você havia voltado para o corpo físico. Não sei como, mas eu sabia que você não havia completado o serviço por causa de alguma coisa boba em seus questionamentos. Agora, lendo sua carta, confirmei essa primeira impressão. Bom, quem perdeu foi você mesmo, meu amigo.

Em dado momento, no meio dos clarões emanados pelos amparadores, começou a tocar uma música que se propagava por todo ambiente. Não sei de onde ela vinha, pois estava em todo canto. Parecia uma composição de violino acompanhada de piano e orquestra invisível. Era interessante, aumentava e diminuía, mais parecendo que subia e descia pelas encostas e abismos daquele local dantesco.

Naquele momento eu sabia o estilo da música, mas agora, aqui dentro do corpo denso, sequer me lembro da melodia. Só sei que era belíssima e fazia um bem danado ouvi-la e senti-la psiquicamente, como se ela comunicasse energias sutis e renovadoras ao meu corpo extrafísico - e ainda tem alguns poucos pesquisadores e projetores radicais que condenam a música como muleta psicofísica, vê se pode?

Notei que vários daqueles espíritos caíam em sono reparador sob o efeito da música e das energias dos amparadores. A essa altura, eu também estava exteriorizando energias ao sabor da música, como se guiado por ela.

Localizei um grupo de espíritos atormentados atrás de uma pedra escura imensa. Nela estavam escritas blasfêmias de vários tipos e idiomas, que felizmente agora não lembro. Parecia que eles usavam aquela pedra como escudo denso e evocativo de climas pesados, para impedir as energias superiores de chegarem até eles. Contudo, os amparadores são feras no que fazem. E sempre surpreendem a gente, mesmo quando estamos escorados em muitas experiências (e ainda tem projetores que acham que sabem bastante e que nada precisam aprender) desse gênero ao longo dos anos.

A melodia do Amor

Duas amparadoras se destacaram e foram até o grupo atrás da pedra. Em lugar de projetarem energias, elas simplesmente começaram a cantar para aqueles espíritos. E era engraçado, porque isso os surpreendeu. Eles ficaram quietos ouvindo e em seguida baixaram a cabeça chorando copiosamente. Algo naquela canção falava de um amor profundo que resgatava todos os seres das trevas. Infelizmente, também não me lembro dos detalhes e melodia da mesma, mas sei que era fantástica.

A seguir, eles deitaram no chão escuro e foram adormecendo suavemente. E aquelas duas mulheres incríveis (ambas de pele bem clara, de cabelo bem preto e grande, mais parecendo duas deusas celtas maravilhosas) se agacharam e foram acariciando-os e falando coisas suaves para eles, como se fossem duas mães colocando os filhos para nanar.

Cara, confesso que naquele momento eu quis ser nanado por uma delas. Se eu "descascasse" ali, estaria bem demais. Iriam encontrar o meu corpo físico abandonado no dia seguinte, e talvez você até chorasse a minha partida, mas eu estaria no Astral assistido por aquelas duas deusas celtas, feliz da vida... hehehehehe...

Por causa de sua bobeira, você voltou para o corpo físico só com a idéia de Umbral, mas perdeu a parte principal: a canção da assistência extrafísica.

Vê se fica esperto e, da próxima vez, evite julgamentos e questionamentos desnecessários. Apenas manifeste boa vontade em servir a Luz Maior e irradie energias cheias de amor incondicional. Os amparadores precisam de gente boa nas projeções, e você é uma delas. Apenas capriche mais na boa vontade, e sempre se lembre de que os espíritos atormentados são doentes extrafísicos, prisioneiros de ilusões sensoriais e carentes de energias sadias. Eles não precisam de nosso julgamento ou crítica sem sentido, apenas precisam de nossa compreensão e consciência.

Dedique-se mais a essa incrível arte das experiências fora do corpo. Prepare-se mais. Estude o tema com boa vontade e modéstia. Aproveite essa folga que o sono dá ao corpo físico e se projete bem. Faça coisas boas com isso.

Resumindo, cara: vamos trabalhar direito com as projeções para fora do corpo físico.

Bom, finalizo essa carta com a saudação espiritual que aprendi com o mestre Ramatís: "Paz e Luz para você!" Fique bem.

Este artigo e as imagens foram publicados na Revista Cristã de Espiritismo, edição 35. Ao usar o texto, favor citar o autor e a fonte.

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