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Elizabeth d’Esperance nasceu em 1849, um ano depois dos fenômenos de Hydesville.

Quando ainda mocinha, apareceu em público, através da apresentação de T. P. Barkas, em New Castle. Barkas organizou uma extensa lista de perguntas referentes aos mais variados setores da ciência, que foram respondidas, rapidamente, pela médium, em inglês, alemão e até mesmo em latim.

 

Madame d’Esperance, que possuía educação de classe média, quando caía em transe mediúnico, externava admiráveis conhecimentos científicos, muitas vezes abordando assuntos completamente desconhecidos daqueles que a interrogavam. Nesse estado, desenhava na mais completa escuridão. Mr. Barkas, referindo-se às sessões realizadas com ela, disse:

"Deve ser geralmente admitido que ninguém pode, por um esforço normal, responder com detalhes, a perguntas críticas ou obscuras em muitos setores difíceis da Ciência com que se não é familiarizado. Além disso, deve admitir-se que ninguém pode ver normalmente e desenhar com minuciosa precisão em completa obscuridade; que ninguém pode, por meios normais de visão, ler o conteúdo de uma carta fechada, no escuro; que ninguém, que ignore a língua alemã, possa escrever com rapidez e exatidão longas comunicações em alemão. Entretanto, todos esses fenômenos foram verificados com essa médium e são tão acreditados quanto as ocorrências normais da vida diária.".

Madame d’Esperance publicou um livro intitulado Shadow Land que, traduzido, significa "Região das Sombras", através do qual relata seus dons mediúnicos. Diz ela que, na sua infância, brincava com espíritos de crianças, como se estes fossem crianças reais. Mais tarde, lhe foi acrescentada a faculdade de materialização, pois ela fornecia, em abundância, o fluido chamado "ectoplasma", que serve para a produção desse fenômeno.

Seu guia espiritual era uma bela moça árabe, que dava o nome de Yolanda. Esse espírito se materializava, constantemente, dada a perfeita afinidade que tinha com a médium. Ela podia ver a forma materializada, conforme descreve em seu livro:

"Sua roupagem leve permitia que se visse muito bem a bela cor azeitonada de seu pescoço, dos ombros, dos braços e dos tornozelos. Os longos cabelos negros e ondulados desciam pelos ombros até abaixo do peito e eram atados por uma espécie de turbante pequenino. Suas feições eram miúdas, corretas e graciosas; os olhos eram negros, grandes e vivos; todos os seus movimentos eram cheios daquelas graças infantis ou como os de uma jovem gazela, quando a vi, tímida e decidida, por entre as cortinas."

Alexandre Aksakoff, no seu livro Um Caso de Desmaterialização Parcial, descreve que, em uma sessão realizada com essa médium, viu seu corpo desmaterializar-se, parcialmente.

Muitos outros casos de materialização de objetos foram constatados, entre eles, o caso das vinte e sete rosas descrito por William Oxley, editor da obra Angelis Revelation, e mais uma planta rara, em flor. Disse ele sobre o fato:

"Eu tinha fotografado a planta Ixora Crocata na manhã seguinte, depois do que trouxe para casa e a coloquei na minha estufa, aos cuidados do jardineiro. Ela viveu três meses, depois murchou. Tomei as folhas, muitas das quais abandonei, exceto a flor e três brotos que o jardineiro cortou, quando cuidava da planta".

Foram também obtidos, graças à preciosa faculdade dessa médium, moldagens em parafina, de mãos e pés, com punhos e tornozelos que, dada a estreiteza dessas partes, não podiam permitir a saída dos membros, a não ser por sua desmaterialização.

Como a maioria dos médiuns de prova, Madame d’Esperance também sofreu muito durante o cumprimento da sua espinhosa missão.

Em um dos trabalhos de materialização realizado na Escandinávia, o espírito Yolanda foi agarrado por um pesquisador menos avisado, com o intuito de desmascarar, tendo a médium sofrido grande choque traumático que lhe produziu sério desequilíbrio orgânico, prostrando-a de cama.

E, para encerrar, citemos mais um trecho do último capítulo do seu livro, que diz:

"Os que vierem depois de mim talvez venham a sofrer quanto eu tenho sofrido pela ignorância das leis de Deus. Quando o mundo for mais sábio do que no passado, é possível que os que tomarem as tarefas na nova geração não tenham que lutar, como lutei, contra o fanatismo estreito e os julgamentos duros dos adversários.".

William Stainton Moses

W. Stainton Moses nasceu em 5 de novembro de 1839, em Lincolnshire, na Inglaterra. Fez seus estudos em Bedford Grammar School e no Exeter College de Oxford. Seu pai, William Moses, era reitor da Escola de Gramática.

Durante a vida de estudante, o jovem Moses sempre se destacou pela sua inteligência e aplicação, recebendo de seus professores as melhores referências. Exerceu o ministério religioso como Cura na Ilha de Man. Mais tarde, por motivo de saúde, foi aconselhado a viajar, tendo, na sua volta, passado seis meses no Mosteiro de Monte Athos. Aí, no isolamento e na meditação, manifestaram-se os primeiros sinais de sua mediunidade.

Aos vinte e três anos de idade, Moses volta para Oxford, onde recebe seu diploma, em 1863, continuando, ainda, como Cura, de Man.

A esse tempo, uma forte epidemia de varíola espalhou-se por toda a Ilha, onde não existiam médicos. Ali, "dia e noite estava ele à cabeceira de doentes pobres, por vezes, depois de haver assistido a um moribundo, se via obrigado a unir as tarefas de sacerdote às de coveiro, e ele próprio a transportar cadáveres".

Retirando-se, depois, daquela Ilha, fixou residência em Londres, onde ingressou no Magistério, tornando-se professor na University College School.

Em 1870, mais ou menos, quando residia na casa do dr. Speer, sua atenção voltou-se para o espiritismo, graças a um livro que a sra. Speer lhe aconselhou a ler, chamado Debatable Land (Terra Contestada), de autoria de Robert Dale Owen.

Moses e o dr. Speer travavam constantes discussões em torno da doutrina espírita, notadamente sobre pontos de controvérsias religiosas, pois ambos desejavam provas sobre a imortalidade da alma e, para o dr. Speer, materialista intransigente, o problema parecia de difícil solução. Mas, por outro lado, para Moses, espírito bastante religioso, isso não era impossível e, pensando assim, começou estudar o espiritismo e assistir a sessões mediúnicas.

Nas reuniões realizadas na casa do dr. Speer, Moses começou a receber, pela psicografia, mensagens de três espíritos que davam os nomes Imperador, Doctor e Rector. Ele, entretanto, não aceitava o conteúdo dessas mensagens, uma vez que as suas idéias eram outras e os ensinamentos contidos estavam em contradição com os da Bíblia. Mesmo assim, sua mediunidade desenvolveu-se, rapidamente, tendo-se manifestado nele quase todos os fenômenos de efeitos físicos então conhecidos. Na sua presença, objetos se movimentavam; livros e cartas eram transportados de uma sala para outra, em plena luz do dia.

Somente em 1872, quando realizava sessões com William e Miss Lottie Fowler é que se operou sua completa conversão ao espiritismo. Seus escritos, com o pseudônimo M. A. Oxon, constituem dois importantes trabalhos publicados sob os títulos: Ensinos Espíritas e Aspectos Superiores do Espiritismo.

Stainton Moses foi, por muito tempo, redator da grande revista Light, da qual foi também diretor.

Devemos acrescentar, ainda, que esse grande baluarte da doutrina espírita foi um dos fundadores da Sociedade de Investigações Psíquicas de Londres, inaugurada em 1882. Em 1884, foi eleito presidente da Aliança Espírita de Londres, permanecendo nesse cargo até quando se deu sua desencarnação.

William Eglinton

A história do espiritismo está repleta de grandes médiuns, cada um cumprindo a missão que trouxe do alto, de acordo com o convênio firmado no plano espiritual.

William Eglinton foi um deles. Veio à Terra como os demais missionários do Cristo para servir de intérprete aos espíritos, dando prova de que a vida não se extingüe no túmulo: continua no seio da espiritualidade, sempre ascendendo para o alto, em cumprimento aos desígnios do Criador.

Eglinton nasceu em 1857. Quando ainda muito jovem, revelou seu gênio imaginoso, sonhador e sensitivo. Só em 1874, com a idade, portanto, de dezessete anos, é que entrou no grupo da família, onde seu pai investigava os fenômenos espíritas.

No momento em que o rapaz se ligou àquele grupo, a mesa ergueu-se com rapidez, obrigando os assistentes a se porem de pé a fim de manter as mãos sobre ela. Na sessão seguinte, Eglinton caiu em transe mediúnico, recebendo comunicação de sua mãe.

A notícia espalhou-se por toda a parte, tendo ele recebido inúmeros convites para tornar-se médium profissional, o que recusou.

Em 1878, viajou para diversos países, visitando a África do Sul, a Suécia, a Dinamarca e a Alemanha. Em Leipzig, realizou sessões com o professor Zollner, cujos trabalhos foram assistidos por outras figuras de destaque no meios científicos ligados à Universidade.

Em Paris, M. Tissot, famoso artista pintor, assistindo a uma sessão de materialização, com Eglinton, na qual se materializou o espírito de uma senhora reconhecida como parenta, pintou-a numa tela, que intitulou de Aparição Medianímica.

Eglinton costumava realizar as materializações à luz da lua, em estado consciente, tendo as mãos seguradas pelos presentes.

M. W. Harrison, redator do The Spiritualist, assistindo a um dos trabalhos de materialização, assim descreve: "Na noite de segunda-feira, última, dez ou doze amigos se reuniram em volta de uma grande mesa circular, com as mãos juntas, em cujas condições o médium W. Eglinton ficava seguro pelos dois lados. Não havia outras pessoas na sala além das que estavam sentadas à mesa. Um fogo, que se apagava, dava uma luz fraca, que apenas permitia se vissem as silhuetas dos objetos. O médium estava na parte da mesa mais próxima do fogo, de modo que suas costas ficavam para a luz. Uma forma, na inteira proporção de um homem, ergueu-se, lentamente, do chão até ao nível da borda da mesa; estava a cerca de trinta centímetros atrás do cotovelo direito do médium. O assistente mais próximo era o sr. Wisemann, de Orne Square, Baywater. A forma estava coberta com um pano branco, e as feições não eram visíveis. Como se achava próximo ao fogo, podia ser vista distintamente pelos que se achavam mais próximos. Foi observado por todos os que assim estavam, que o canto da mesa ou os assistentes não tapavam a vista da forma; assim, foi observada, por quatro ou cinco pessoas e isto não foi resultado de impressões subjetivas. Depois de erguer-se até o nível da mesa, mergulhou e não mais foi vista, ao que parece tendo esgotado as forças. Sr. Eglinton estava numa casa estranha e vestido a rigor. De um modo geral, foi um teste de manifestação, que não podia ser produzido por meios artificiais."

Outra face da mediunidade de Eglinton foi a da pneumatografia, ou seja, a da escrita direta.

Embora tenha ele, por mais de três anos, se esforçado neste sentido, somente em 1884 é que obteve resultados positivos.

As lousas usadas para a obtenção da escrita direta eram do tipo comum, que os assistentes tinham a liberdade de trazer para serem utilizadas. A ardósia era segurada pelo médium e a escrita se produzia dentro de poucos instantes, ouvindo-se, muitas vezes, o ruído do lápis que deslizava, com grande velocidade.

Eram usadas, também, duas lousas do mesmo tamanho, superpostas e amarradas, às quais se ligava um cadeado com chave, a fim de evitar possíveis truques. E as mensagens eram obtidas, graças à faculdade de Eglinton, a quem o mundo muito deve pelo seu notável trabalho de prova da sobrevivência do espírito após a morte do corpo.

Charles Foster

Desde épocas remotas, têm surgido na Terra médiuns dotados das mais variadas faculdades, dependendo da aptidão orgânica de cada um deles. E Charles Foster se inclui no rol daqueles que mais se notabilizaram pela importância do trabalho realizado.

Além de clarividente de grande poder, possuía, Foster, a interessante e raríssima faculdade de exibir na pele, principalmente no antebraço, as iniciais dos nomes dos espíritos que se comunicavam com ele. Esse fenômeno foi severamente examinado por várias figuras de renome internacional, que não puseram dúvida alguma quanto à veracidade do fato.

Mas, não foram somente a vidência e as letras que se manifestaram em Foster: mantinha ele, também, conversação com entidades desencarnadas, como ocorreu com Cervante, Camões, Virgílio e outros.

Conta-nos sr. George C. Barlett, autor da obra The Salem Seer (O Vidente de Salém) que, certa feita, quando se encontrava nos aposentos de Foster, foi por ele acordado, às duas horas da madrugada, dizendo "George, quer fazer o favor de acender o gás? Eu não posso dormir: o quarto está cheio da família de Adams e parece que estão escrevendo seus nomes em mim".

Com efeito, sr. Adams o havia procurado durante o dia anterior para uma consulta, tendo Foster, através da vidência, observado que muitos espíritos ficaram em sua companhia.

E continuando o relato, sr. Barlett conclui, dizendo: "E com grande admiração minha, a lista de nomes da família Adams estava gravada em seu corpo. Contei onze nomes diferentes: um estava gravado na testa, outros nas costas".

Temos notícia de que esse tipo de fenômeno tem se verificado, constantemente, nas mãos e nos pés das beatas, o que parece ter muita semelhança com o dom das letras que Foster apresentava sobre a pele.

Henry Slade

Henry Slade representou importante papel na história do espiritismo, pelo grande poder mediúnico de que era dotado.

Slade celebrizou-se pela escrita na lousa, tendo-se exibido, por muitos anos, na América do Norte, de onde mudou para a Inglaterra, realizando, em Londres, inúmeras sessões desse gênero.

M. J. Enmore Jones, redator do The Spiritual Magazine e um dos mais conhecidos pesquisadores do psiquismo, dele, diz o seguinte: "No caso de sr. Home, recusou receber um salário e, via de regra, as sessões eram feitas ao anoitecer, no calmo ambiente familiar. Mas no caso do dr. Slade, elas se realizavam numa pensão. Cobra vinte shillings e prefere que apenas uma pessoa fique na sala que ocupa. Não perde tempo: assim que o visitante se senta, começam os incidentes, continuam e terminam em cerca de quinze minutos."

Slade não só produzia a escrita na lousa, como também provocava outros fenômenos de efeitos físicos tais como o arremesso de objetos, materializações de mãos e a execução musical.

Certa vez, em uma sessão realizada em plena luz do dia, além de ser obtida a escrita na ardósia, foi também executada, ao acordeon, a peça Home, Sweet Home.

Como se vê, Slade era médium dotado de grande poder para a produção de fenômenos de efeitos físicos.

A carreira de Slade, como a da maioria dos médiuns, foi bastante espinhosa. Por acusação de fraude, feita pelo prof. Ray Lankester, foi julgado na Corte de Polícia de Bow Street, perante o juiz Flower. A acusação foi feita pelo sr. George Lewis e a defesa esteve a cargo do sr. Munton.

Sobre a autenticidade dos fenômenos produzidos por Slade, falaram Alfred Russel Wallace, Serjeant Cox, além de outros, que apresentaram provas concretas para a defesa do acusado, mas, mesmo assim, o magistrado, no julgamento, exclui, dizendo que sua decisão baseava-se em "inferências deduzidas dos conhecidos fatos naturais".

Assim, foi Slade condenado a três meses de prisão, com trabalhos forçados, nos termos da lei. Houve apelo e ele foi solto sob fiança.

Mais tarde, quando foi julgado o apelo, a condenação foi anulada. Henry Slade desencarnou em 1905, num sanatório, em Michigam. Foram inúmeros os comentários feitos pela imprensa londrina a respeito das ocorrências registradas com ele, notadamente sobre a perseguição movida por Ray Lankester, em Bow Street, de que resultou sua condenação.

Termina na próxima edição.


Este artigo foi publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 37. Ao usar o texto, por favor, citar o nome do autor e a fonte.

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